Desculpem lá, tinha de ser
O Eskisito falou há dias na questão das AEC's e nas injustiças que caminham a par destas actividades, e foram alguns os que se resolveram dar o seu contributo para a divulgação desta situação ultrajante.
Obrigada a todos o que o fizeram, uma vez que me incluo no rol dos "humilhados e ofendidos".
Mas sabem o que me passou pela cabeça? E, francamente, estou-me nas tintas para o quão politicamente incorrecto isto possa parecer...
Há uns 3 anos, eu estava a trabalhar numa loja. Não era de todo o pior sítio para se trabalahr, mas sentia-me a esvaziar. A esquecer o que era. Entretanto, soube de uma vaga para uma instituição, e tentei informar-me dos trâmites necessários para poder concorrer ao lugar de professora que era oferecido no jornal.
Qual não é o meu espanto, quando sei que a minha candidatura tinha sido preterida a favor de uma professora ucraniana, por que "coitadinha, estava a trabalhar numa peixaria!"
Passaram-me muitas coisas pela cabeça, mas esqueci, afinal de contas a senhora não tinha culpa. A "culpa", se a há, está na mentalidade portuguesinha, que considera ajudar os refugiados do Katrina, mas que não se interessa pela miséria que vive no próprio bairro.
É isto que me está a massacrar. A quantas reportagens não tivémos já oportunidade de assistir, sobre os médicos russos que trabalham na construção civil, ou nos engenheiros que estão atrás do balcão de um tasco? É uma realidade triste, que urge modificar, mas também gostaria de ver uma reacção da sociedade civil a esta situação precária, que os PROFESSORES PORTUGUESES enfrentam em PORTUGAL. Na escola dos próprios filhos.











