Eu confesso
que não reconheço perfumes. É um problema que tenho. Ando para ali, a cheirar, e ao fim de dois ou 3 papelinhos, não cheiro nada nem distingo o que quer que seja. Fico com uma bela dor de cabeça e a próxima refeição é uma perda de tempo.
Definitivamente, não pertenço ao grupo das gajas que se põem a desfolhar uma revista e que param nas pa´ginas de publicidade e exclamam seguras de si: este perfume é tãããão bom!
Não, eu cá não consigo ter estes momentos de exteriorização pura, é escusado.
Em compensação, tenho memória olfactiva no que ao uso diz respeito. Explico: reconheço os cheiros nas pessoas. O que os meus amigos usam não sei, mas se o cheirar lembro-me que o não sei quê usa.
No outro dia, estive a falar com um moço lá no meu coiso (o coiso secreto). Ao fim de uns segundos e com a aragem a favor, vai de me vir uma baforada a pefume que me fez perder o fio à meada. Calei-me e ali fiquei estática, a pensar, incapaz de perceber quem era a pessoa com quem já estive e que usava aquela porcaria. O desgraçado, calou-se também e deve ter pensado que me estava a dar algum chilique, porque fiquei com cara de parva a olhar o vazio. Mas ZÁS! Lembrei-me. Sorri, limpei a baba que entretanto escorrera e lembrei-me, caraças! Era o perfume de um colega dos tempos de estudante. Não faço ideia do perfume que é, mas vá.
Estou sozinha no universo ou há para aí mais apanhados da cachola como eu?



