Não tenho pachorra para calões...
Para ser grande, sê inteiro: Nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.
Fernando Pessoa
Para ser grande, sê inteiro: Nada
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Aqui que ninguém nos ouve, fiquem sabendo que me arrependo muito de não ouvir os conselhos informáticos do meu marido. Faço um grande esforço em manter-me atenta e em dizer "EISH! Conseguiste pôr a maquineta a fazer isso?" nos momentos certos, mas admito aqui, minha gente, que é uma tarefa hercúlea manter a minha mentezinha dedicada ao que ele me está a ensinar ou a contar. E atenção,não é por desinteresse, é mesmo uma impossibilidade genética.
E o motivo pelo qual me sentei aqui, de computador no colo a escrever isto é que ainda hoje me pus a fazer uma coisa que ele já me ensinou umas quantas vezes e como sou assim, uma cidadã deficiente informática, fiquei ali a dar em maluca e tive de me desenrascar de outra maneira. De que maneira? Uma maneira mais demorada e menos bonita, mas consegui. No fundo, é esta a beleza de ser mulher.
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Curioso foi ver que ontem, na manifestação da geração à rasca, estavam representados os professores das AECs. Porque será que não foram para o Campo Pequeno? Ah, já sei, porque está-se tudo borrifando para estes desgraçados e eles não se sentem representados pelos magníficos sindicatos. Na sexta, estava eu sentada na sala de professores, quando me passa pelas mãos o panfleto de apoio à manifestação do Campo Pequeno, e leio o primeiro parágrafo que rezava qualquer coisa do género:
Colega, desta vez estas medidas não afectam só os contratados ou os que estão à beira da reforma, afecta-nos a todos!!!!
Que é como quem diz:
Ó diacho, espera lá que tenho para mim que não são os putos novos que eles querem lixar desta vez, deixa-me cá desmarcar a ida ao cabeleireiro e ir ao Campo Pequeno.
O altruísmo destes senhores é tocante, principalmente quando uma colega se sai com ainda bem que vão fazer cortes, assim não teremos tantos contratados na escola...
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É engraçado que, por se tratar de um senhor (que devia tomar ritalina, ou coisa que o valha) esta frase é gira e carismática. Um espírito atormentado, um excêntrico preso num mundo que não reconhece como seu...blá, blá, blá. Se tivesse sido uma mulher a dizer isto era uma maníaco-depressiva com um filho da put@ de feitio.
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Já vos disse?
Já mencionei que é a idade mais estúpida que há e que eu não tenho paciência para os aturar?
Não dá para uma pessoa agarrar neles aos 12, pôr os sacanas a dormir e acordá-los por volta dos 20?
Facilitava.
Ou então, agarrava-se num pau e vai de lhes tirar a mania que são bons à paulada.
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Eu levei algumas. Poucas. Mas boas.
Não há dia nenhum que eu não agradeça a Deus nosso Senhor a rigidez exagerada do meu pai e a falta de paciência para merdinhas adolescentes da minha mãe. Dia nenhum.
E pensam vós: isso é por teres de levar com putos idiotas e malcriados. É. De facto é, mas muito piores do que os putos são alguns colegas. Se os primeiros ainda têm desculpa, o mesmo já não acontece para os segundos. Curiosamente, os tempos mudam, mas o remédio continua a ser o mesmo. Começa por C, acaba em A e tem HAPAD no meio.
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Não há coisa que me deixe mais lixada do que vir aqui e esquecer-me do que vinha escrever.
Ou era sobre os gaiatos...
Ou sobre os colegas...
Ou sobre os gatos...
Pronto, deixem lá, fica para a próxima.
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If only closed minds came with closed mouths...
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Demasiado cedo para gozar com o Carlos Castro?
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De há uns anos a esta parte, sempre que um novo ano começa sinto-me com força para pedir ao Universo que me torne uma pessoa melhor. Uma pessoa boazinha, que não dá encontrões às parvas que não se desviam, que não vocifera impropérios para com as bestas que se metem à frente e que depois não aceleram, que não se enerva com os vizinhos malcriadões, etc.
Vamos no terceiro ano que o peço e a coisa não demonstra grandes melhorias. Estou a ver que ou me mudo de planeta e /ou ando de mordaça, porque este Universo é um nhónhó. É desta, ó palhaço?
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Se eu tivesse pachorra, punha aqui o vídeo das Destiny's child (ora aí está uma bela merdinha de nome para uma banda de 4 gajas a abanar o nalguedo). Aquele em que andam de roupa com estampado camuflado e a pular em poças de lama com um ar muito enervado com o sistema.
Já estraguei a piada. Foi como no outro dia em que estava a dar Formação Cívica (nem explico o que se faz num sítio com este nome, mas pode muito bem apelidar-se de BULLSHIIIIITTTT) e um ser se referiu ao puto chinês da turma ao lado como o chinoca. Sim , todos o fazemos, mas ali eu sou arraçada de Nossa Senhora (75% do tempo, vá...60% e não se fala mais nisso) e não permito esse tipo de comportamentos e vai de me armar em moralista.
Levaram a esfrega do racismo e do somos todos iguais e o caracinhas, até que o meu puto angolano se sai com isto:
- É como o outro na aula de Ed. Física que disse que não era racista mas que, na partida para a corrida, os azuis claros ficavam na fila da frente e os azuis escuros na fila de trás.
Eu escangalhei-me a rir e percebi o verdadeiro poder desta profissão: não ter de aguentar o riso sem correr o risco de a professora me pedir para ler e eu não conseguir por estar aflita da vida com tanta vontade de rir.
Mas eu não vim aqui para isto, eu vim aqui para que saibam que sobrevivi ao quilo de castanhas cozidas. O meu casamento ficou por um fio, mas cá estamos.
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