domingo, 14 de março de 2010

Terminando a sequência deprimente:

Pode parecer estúpido, mas ler os comments aos posts que escrevi desde sexta-feira dá-me algum sossego, não sei bem a razão, mas sabe bem. Há uns tempos, em conversa com colegas, surgiu a questão: porque é que há por aí séries à brava sobre médicos e advogados, polícias e não sei quê, e nem uma sobre professores? Eu cá acho que devia ser uma valente seca e deprimente até à exaustão. Putos desbocados, professores frustrados/enervados/cansados/borrifando-se para tudo. Salas em que chove lá dentro, auxiliares que se sentem com o rei na barriga e que têm mais apoio das estruturas directivas do que os próprios professores.Computadores às carradas e miúdos sem livros ou cadernos. Reuniões atrás de reuniões. Negativas que passam a positivas como que por magia e acaba o ano. Créditos. Executive Producer: Ministério da Educação. To be continued...
E bom domingo, valha-nos o sol!

sábado, 13 de março de 2010

Continuação da continuação...

Afastemo-nos então da indisciplina. Na disciplina de Inglês costumo propor-lhes um project-work por período. Por período, não por unidade temática. Desta feita, encomendei-lhes uma maquete/desenho que evidenciasse a rua em que vivem, salientando os serviços lá existentes. O prazo termina na segunda e recebi dois. Tenho 48 alunos. Os que recebi são como água e azeite: um foi feito em cartolina laranja berrante e a lápis. Não se consegue, portanto, ler nada. Informei a aluna disso, dizendo-lhe que seria difícil a obtenção de uma boa nota, uma vez que eu não conseguiria ler com clareza a legenda. Bufou enquanto exclamava: A stôra também!...
O outro trabalho foi feito com preocupação e alguma ajuda dos pais: está muito bem feito. A aluna em questão é filha do representante dos E.E. da turma e é um exemplo. No outro dia, por ter notado que se estavam todos borrifando para o que lhes estava a ensinar, fechei o livro, escrevi o sumário e ditei:
Exmo Sr. Encarregado de Educação:

Em virtude do desinteresse demonstrado pelo seu educando, o conteúdo em estudo na aula de hoje está sumariado. Deste modo, fica à responsabilidade do mesmo o estudo e compreensão da matéria da aula de hoje.

Com os melhores cumprimentos

No dia seguinte fui ver as assinaturas. A menina em questão esquecera-se da caderneta, então, ligou ao pai que me enviou o seguinte sms:

Professora:

Assinei o recado mas a ****** foi irresponsável e esqueceu-se da caderneta na cozinha. Peço desculpa pelo sucedido.

Entre outras cadernetas por assinar, uma vinha acompanhada deste recado oral: A minha mãe diz que tem mais em que pensar.

Concluo que há por aí gente que não sabe definir prioridades.

continuação do post anterior

Outra coisa que me deixa ainda mais revoltada, é saber que o suicídio foi cometido a 9 de Fevereiro e só agora vem a público, talvez porque se integra na sequência do suicídio do aluno em Mirandela. Não querendo medir a importância, parece-me que a preocupação escolheu um lado e não é o do professor. Digo e volto a dizer que isto só está assim pelos pais, Digam o que disserem. A escola é uma estrutura que deve acolher a diversidade? Sim. E a diversidade tem lá gente que não acata ordens. Sim, ordens. Não são instruções, são ordens! Sente-se, levante-se e venha ao quadro. É uma ordem porque é do lado do professor que está a autoridade, ou não? Quando isto falha, meus amigos, falha tudo. Vi ontem uma mãe a berrar com um Director de Turma porque queria o telemóvel da filha de volta: a professora de Matemática retirou-lho por esta ter estado a usá-lo na aula e, cumprindo o regulamento interno, levou-o ao Director. A mãe em questão não comparece quando a filha perturba o normal decorrer das aulas, mas pede para sair do emprego mais cedo para reaver o telemóvel da menina. E isto é a ponta do icebergue.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Que termo Inglês se arranja para isto?

- Ó stôra, ouviu aquela notícia do stôr que se matou?
Risos alarves ecoaram na sala.
- Ouvi.
- E o que é que a professora acha?
- Acho que, a ter uns alunos assim, agarrava numa caçadeira de canos cerrados, entrava na sala, despachava-os a todos e depois é que me suicidava.
Risos alarves param.
- Mas continuemos com os advérbios, que ainda temos de fazer uns exercícios.

Não estou a tentar armar-me em engraçada, longe disso. Li o rodapé da tvi quando estava a beber café em frente à escola e parei um bocado para pensar: Rio de Mouro está a meia dúzia de Km daqui. Pensei na profunda tristeza de um colega, do sentimento de impotência e da raiva pelo sistema que aquele profissional sentiu ao ponto de fazer o que fez.
Sou áspera, não sou a típica professora amiguinha, cá para mim a coisa não se leva com eles a julgarem-se iguais aos professores e sou também da opinião que, se eles não trazem essa noção com eles, devemos ser nós a tratar disso. Ninguém o fará por nós. Os tribunais julgam, as cadeias prendem, as escolas aturam e ainda têm de andar de cara alegre. Bela merda de sistema, francamente.

terça-feira, 9 de março de 2010

Jon and Kate plus eight


Não sabem o que é??? Google it e vão ver se o instinto maternal adormecido (inexistente?) não vem logo ao de cima, o sacana.

Dias bons e dias maus


Recomeça...

Se puderes,

E os passos que deres,

Nesse caminho duro,

do futuro,

Dá-os em liberdade

Enquanto não alcances,

Não descanses.

De nenhum fruto queiras só metade.


Miguel Torga


Bottom line of a teacher's day.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Seriously!




Ninguém merece mais chuva. Eu sei que somos uma humanidadezinha que fez merda atrás de merda e que temos vindo a deixar este planeta numa miséria, mas ninguém merece ter tanta chuva seguida. É uma vingança da Mãe Natureza? É o início do fim? É um azar do catano? Whatever! Ou isto pára ou a humanidade desaparece e não é no dilúvio, é de depressão. E depois que raio de ideia é esta do pessoal das lojas já andar p'raí a pôr vestidinhos e sandalinhas e coisas de cavas...ora vão-se mas é encher de moscas! Estamos a uma semaninha e tal do início da Primavera e durmo de pijama polar, não me dispo para tomar banho a menos que o aquecedor já esteja a bombar há uns bons 10 minutos e ando com o cabelo cachapado na pinha assim que meto o pé na rua. Já não há paciência, ainda por cima que sou daquelas pessoínhas que em Setembro disse qualquer coisa do género: "Já tenho saudades do Inverno". Uma bigorna na cabeça, é que eu merecia. E o cheiro a mofo e a roupa-que-não-é-lavada-e-que-quando-é-não-seca-e-cheira-como-que-a-chulé que uma pessoa tem de gramar nas salas de aula? Opá, sol, queremos sol. Period.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Daniel Sampaio (recebido por mail)

Merece toda a atenção a proposta de escola a tempo inteiro (das 7h30 às 19h30?), formulada pela Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap). Percebe-se o ponto de vista dos proponentes: como ambos os progenitores trabalham o dia inteiro, será melhor deixar as crianças na escola do que sozinhas em casa ou sem controlo na rua, porque a escola ainda é um território com relativa segurança. Compreende-se também a dificuldade de muitos pais em assegurarem um transporte dos filhos a horas convenientes, sobretudo nas zonas urbanas: com o trânsito caótico e o patrão a pressionar para que não saiam cedo, será melhor trabalhar um pouco mais e ir buscar os filhos mais tarde.
Ao contrário do que parecia em declarações minhas mal transcritas no PÚBLICO de 7 de Fevereiro, eu não creio à partida que será muito mau para os alunos ficar tanto tempo na escola. Quando citei o filme Paranoid Park, de Gus von Sant, pretendia apenas chamar a atenção para tantas crianças que, na escola e em casa, não conseguem consolidar laços afectivos profundos com adultos, por falta de disponibilidade destes. É que não consigo conceber um desenvolvimento da personalidade sem um conjunto de identificações com figuras de referência, nos diversos territórios onde os mais novos se movem.
O meu argumento é outro: não estaremos a remediar à pressa um mal-estar civilizacional, pedindo aos professores (mais uma vez...) que substituam a família? Se os pais têm maus horários, não deveriam reivindicar melhores condições de trabalho, que passassem, por exemplo, pelo encurtamento da hora do almoço, de modo a poderem chegar mais cedo, a tempo de estar com os filhos? Não deveria ser esse um projecto de luta das associações de pais?
Importa também reflectir sobre as funções da escola. Temos na cabeça um modelo escolar muito virado para a transmissão concreta de conhecimentos, mas a escola actual é uma segunda casa e os professores, na sua grande maioria, não fazem só a instrução dos alunos, são agentes decisivos para o seu bem-estar: perante a indisponibilidade de muitos pais e face a famílias sem coesão onde não é rara a doença mental, são os promotores (tantas vezes únicos!) das regras de relacionamento interpessoal e dos valores éticos fundamentais para a sobrevivência dos mais novos. Perante o caos ou o vazio de muitas casas, os docentes, tantas vezes sem condições e submersos pela burocracia ministerial, acabam por conseguir guiar os estudantes na compreensão do mundo. A escola já não é, portanto, apenas um local onde se dá instrução, é um território crucial para a socialização e educação (no sentido amplo) dos nossos jovens. Daqui decorre que, como já se pediu muito à escola e aos professores, não se pode pedir mais: é tempo de reflectirmos sobre o que de facto lá se passa, em vez de ampliarmos as funções dos estabelecimentos de ensino, numa direcção desconhecida. Por isso entendo que a proposta de alargar o tempo passado na escola não está no caminho certo, porque arriscamos transformá-la num armazém de crianças, com os pais a pensar cada vez mais na sua vida profissional.
A nível da família, constato muitas vezes uma diminuição do prazer dos adultos no convívio com as crianças: vejo pais exaustos, desejosos de que os filhos se deitem depressa, ou pelo menos com esperança de que as diversas amas electrónicas os mantenham em sossego durante muito tempo. Também aqui se impõe uma reflexão sobre o significado actual da vida em família: para mim, ensinado pela Psicologia e Psiquiatria de que é fundamental a vinculação de uma criança a um adulto seguro e disponível, não faz sentido aceitar que esse desígnio possa alguma vez ser bem substituído por uma instituição como a escola, por melhor que ela seja. Gostaria, pois, que os pais se unissem para reivindicar mais tempo junto dos filhos depois do seu nascimento, que fizessem pressão nas autarquias para a organização de uma rede eficiente de transportes escolares, ou que sensibilizassem
o mundo empresarial para horários com a necessária rentabilidade, mas mais compatíveis com a educação dos filhos e com a vida em família.
Aos professores
, depois de um ano de grande desgaste emocional, conviria que não aceitassem mais esta "proletarização" do seu desempenho: é que passar filmes para os meninos depois de tantas aulas dadas - como foi sugerido pelos autores da proposta que agora comento - não parece muito gratificante e contribuirá, mais uma vez, para a sua sobrecarga e para a desresponsabilização dos pais.

Li, há um par de dias, uma apreciação psicológica que havia sido feita a um aluno de uma colega minha que dizia que rapaz tinha dificuldades e que, obvamente, a actuação dos professores teria de sofrer alterações, de forma a que o rapaz ultrapassasse as ditas dificuldades diagnosticadas. Até aqui tudo bem, não fosse ele um de 25. O relatório trazia uma página com não sei quantas propostas de trabalho que faziam todo o sentido, sem dúvida: valorizar o processo e não o produto, reforçar positivamente, criar trabalhos individualizados, etc, etc...
Tudo isto faz parte das nossas funções, mas estamos a falar de um aluno que tem mais não sei quantos colegas na mesma situação, e cada um tem o seu próprio plano de trabalho. Sem mencionar a indisciplina e o desinteresse dos visados. E a falta de acompanhamento/interesse dos pais...
É uma bola de neve que cai sempre para cima dos mesmos, pronto.


quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Óculos do ofício


Dou apoio a uma turma de percursos alternativos, daqueles que têm 17 anos e que continuam a frequentar o 6º ano. Apesar de ao início ter duvidado se chegaria ao final do primeiro período inteira, agora limito-me a fazer o que lá faço (pouco, porque estão sempre cansados ou a falar entre eles sobre os coisas estranhíssimas) e a rir-me do que eles dizem.

Hoje, o R. - que vinha cansado, surprise, surprise!- ficou a olhar para mim e ao cabo de uns minutos diz-me assim:

- A Stôra hoje está diferente.

- Ai sim? Então?

- Está um bocado nerd, como aqueles da Lua Vermelha. Não gosto de a ver de óculos.

- Tenho de te ver, não? Tenho de usar óculos, aguenta-te.

- Mas não fica gira...

- As professoras estão cá para ensinar, estar bonita ou não é importante.

- Está a ver? Está nerd.



Nhónhónhó, conversa sobre as horas que passam em frente a monitores e eis que eu digo:

- Eu tenho a vista cansada. Se tirar os óculos nem distingo bem as feições do F., que está ali ao fundo.

Ao que aquela alma do F., levanta-se e começa a fazer gestos ninja, enquanto diz:

- Ahahaha! A professora não-me-vê!

- Não te vejo as feições, mas vejo-te armado em palhaço, dá cá a caderneta.



- Mas a stôra agora anda sempre de óculos?

- Pois, é de estar sempre a trabahar para vocês no computador!

- Cá para mim, anda mas é no Fárvile.



domingo, 21 de fevereiro de 2010

Bloguices

Ah! As saudades de um bom desafio!
Este foi-me enviado pela MAB, uma conterrânea, blogger e veterinária. Como eu gostava de ter sido veterinária...Embora aquela parte de vacinar, dar injecções e operar e tal, não fosse para uma maricas como eu. Queria ser veterinária naquela especialidade fazer festinhas. Não há? Devia.
Bom, o desafio consiste em enumerar coisas que não têm preço para mim. Cá vai:

- Estar com o meu sobrinhomailindo, que é a criança mais linda e mais querida do mundo TODO. E diz laaaaite, apesar de ser mais alentejano que o Trio Odemira.
- Uma road-trip com o cromo do meu marido, que hoje fez mais uma amoço espectacular (agora podes parar de me açoitar com a colher de pau???)
- Umas férias com a família toda no alentejo, a cozinhar, a dormir sestas, a comer, a dormir sestas...e a comer...já mencionei as sestas?
- Aulas que me deixam satisfeita comigo e com eles.

E o desafio vai péééera:
- O eskisito.
muahahahahahahahahahaha
- Rir com as pessoas de quem gosto.

Será desta?

Este sábado vou fazer qualquer coisa ao cabelo. Again! Estou mais ou menos decidida quanto ao que vou fazer. Vi uma foto da Sanra Bullock num evento qualquer e BAM! é isto que vai! Só falta imprimir uma imagem beeeemmmm grande e explícita para que me façam o que quero, e é muito importante que não torçam o nariz: olhe que no seu cabelo/cor de pele/comprimento/ascendente em Plutão...eu não sei se ficará bem, mas vamos fazer!
Pára tudo! Vamos fazer, mesmo que não se tenha a certeza? Nada disso. Ou bem que saio de lá super hot (na medida do possível vá) ou népias!
Ontem, por acaso, falei nisso e esta noite sonhei que a cabeleireira me queria pôr loira, sem me avisar. Acordei cheia de nervos, a imaginar-me com umas farripas amarelas nesta cabeça de tição. No way! Já fui quase loira e é coisa para se ficar pelo passado.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Ai o meu cérebro...

Com a história das novas oportunidades, depois das 18.30m, a minha escola recebe cursos de formação. Os alunos, pessoas na casa dos 40, 50, 60 anos, esperam à porta das salas pelos professores que lhes dão formação. Saio eu, carregada até ao limite da minha coluna e deparo-me com dois cromos engalfinhados, como se fossem galos. A auxiliar passa e ignora a briga que ali se vai armar. (Por falar nisso, há coisas que não mudam: lá estava o resto da turma a berrar o típico "po-rra-da! sincopado.) Mas como eu estava dizendo, eu passo, os putos lá estão de testas franzidas com o coro da turma a incitar à briga, e eu sigo o meu caminho, porque já basta o que uma pessoa tem de fazer para os conseguir ter em sala de aula com o mínimo de educação, para ainda me habilitar a levar na pinha por causa de uma parvoíce qualquer de putos. Eis que ouço um senhor dizer para outro: como é que isto não há-de estar assim? Os professores não querem saber!
E eu segui, não me engalfinhasse eu também com alguém. Eles que experimentassem transmitir educação aos filhos, e se calhar isto não estava assim. Hoje, por exemplo, ao fim de cinco dias seguidos em casa, pergunto às duas turmas se têm dúvidas a colocar sobre o teste que se avizinha (segunda que vem). Dizem que não, que não têm dúvidas. Mostro-lhes o tal apanhado de gramática que fiz para eles e uma miúda riu-se alto quando eu disse palavras homógrafas. Como se fosse uma palavra estrangeira, sei lá. Nunca antes ouvida, talvez. O problema é que dei isto no primeiro período até ao limite da minha sanidade mental. Segundo ela, riu-se porque a palavra lhe pareceu cómica.
Eu ri-me da comicidade da palavra também, enquanto ela passava 45 minutos na rua. E que bem que se estava na rua às 2 da tarde. Fresquiiiinho!

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

A esquizofrenia rula!


E amanhã recomeça-se o trabalho, as dores de cabeça, a vontade de fugir e tal...Nada de grave.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

A minha avaliação de desempenho de trazer por casa

Devia estar de férias, em vez disso estou a fazer um resumo da matéria de funcionamento da língua . Para quê? Para os ajudar a estudar. Para ficar com a sensação de trabalho-feito-e agora-seja-o-que-deus-quiser? Talvez. Exijo mas também dou, gostava era de poder ensinar tudo o que não aprenderam até agora, para que não façam má figura, para que não fiquem atrás de ninguém. Para mim, a formação é isto: conseguir dotá-los de ferramentas capazes de os levar mais além, nem que seja um passo mais à frente. É verdade que não se esforçam, que não se interessam, mas até aqueles mais certinhos não sabem estudar. Pura e simplesmente. Ao longo das reformas e afins foi-se pondo de parte a necessidade de memorização de conceitos e agora é ver os professores a pedir que saibam as preposições de cor (que não chegam a 2o palavras) e eles népias. Uns (muitos) não olham sequer para o caderno, mas outros há que vêem-se aflitos mesmo que tentem. Se assim é, se isto está mal, cabe-me também a mim melhorar. É assim que vejo isto, com alguma utopia à mistura, mas se deixar de pensar assim agora, daqui por cinco anos ando a motivá-los com fichas*. Por outro lado, esta história dos jogos e da brincadeira constante também não mer parece bem. Aprender é um processo que exige esforço de duas partes. Um esforço que não tem de ser escondido, para que eles não percebam que estão a estudar. Não, nisso também não vou. Aprender tem de ter a sua parte de suor, para que o lado do professor seja também valorizado.
Gosto do que faço, apesar do desinteresse de alguns, da falta de apoio, do constante deita-abaixo, e ocupo os dias e a cabeça a pensar em maneiras de os fazer gostar de aprender. Metade do que faço, ou mais até, acaba por cair em saco roto, mas o certo é que durmo de consciência tranquila.
E pronto, vou continuar, precisava de deixar isto escrito aqui para memória futura.

*private joke para as minhas compinchas das reuniões de Departamento.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Carnaval

Ora, o Carnaval era daquelas coisas que eu adorava em criança, a par do Natal. Nunca me mascarei de coisas normais, nem com coisas parvas. A senhora minha mãe entendia que os fatos deviam ser de boa qualidade e palhaça ou fada, nem pensar. Os meus disfarces foram sempre elaboradíssimos, caros e, por essa razão, não tinha direito a um fato todos os anos. Tive 2 desde os 5 até aos 10. Seja como for, o meu ensejo nunca se prendia com a roupa mas com a bela da maquilhagem e do sinal! A minha mãe pintava-me com a maquilhagem dela e eu deliciava-me com o cheiro da base, do blush, do baton. Acordava com as galinhas e esperava, aparentando a calma que conseguia reunir, pela bolsa castanha de feltro com arabescos, cujo fecho já tinha entregue a alma ao criador. E aí era a loucura: sombra azul, boca encarnadíssima, rosetas a parecer que tinha enfiado a cara no forno...tudo era permitido, até o sinal feito com eyeliner, à la Cindy Crawford, suponho. Enfim, eu divertia-me à brava no Carnaval, mesmo quando o meu irmão me fazia esperas na esquina e me enfiava um punhado de farinha na cara, situação que me levava aos píncaros da raiva e da humilhação.
Agora há fatos nas lojas dos chineses, e cada puto tem 3 por ano. São inflamáveis, não se parecem com nada, mas servem o mesmo propósito, pronto. O que achei curioso hoje, foi ver uma miúda de uns 7 anos, cujo disfarce consistia no seguinte: sardas feitas a eyeliner, totós na cabeça e boneca debaixo do braço. Então mas está disfarçada de quê? Da criança que é, mas com sardas pintadas?

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

:)

- Stôra, amanhã vem mascarada de quê?
- Depois vês.
- É de bruxa, não é?
(risinho de quem se está a esticar mais que as mantas)
- F., não tarda nada mascaro-te eu a ti de aluno que vem ao quadro escrever as sub-classes do pronome.
- Então pronto, de Capuchinho Vermelho, não se zangue!

Sacanas.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

O verdadeiro espírito do S. Valentim, esse grande maluco...

Primeiro que tudo, quero que conste em acta que isto de ser professora é uma vidinha santa e que aturar gaiatos e levar trabalho para casa é um regalo. Posto isto, posso continuar? Agradecida.*
Bom, estou aqui apenas e só para vos falar de apalpões. Sim, apalpões, porque caso vocês achem que isto de ser professora é apenas ensinar conteúdos e tal e coisa estão enganados. Hoje falei de apalpões, de machismo e da probabilidade de lhes aterrar um murro na pinha. Passo a explicar, sem antes pedir licença à provedoria do leitor. Posso, a sério? Um bem-haja.
- Stôra, o R. apalpou-me as mamas...
- R. CHEGA AQUI AO PÉ DE MIM, JÁ!
- Pronto, é sempre o mesmo. Sou sempre eu! Ela fez-me o mesmo a mim! E o A., o F. e o E. também a apalparam!
- Espera, tu estás a dizer-me que pelo facto de não teres sido o único o que fizeram torna-se correcto?
- Não, mas eu não fui o único!
- Mau! Estou a perguntar-te se é correcto!
- Não...
- Então a I. vai escrever um recado à tua mãe a explicar o que lhe fizeste e tu escreves um para a mãe dela a explicar o que ela te fez. Entendam-se.
(Passam uns 20m e chegam os dois ao pé de mim)
- Sabe stôra, é que ele queria namorar comigo, é por isso que me apalpou e eu a ele. Deixe, não escrevemos nada nas cadernetas a ver se melhora.
- Melhora? Melhora o quê??
- O namoro.

Foi mais ou menos aqui que me senti velha.

*Agradecimento destina-se à anónima que não sabe que trabalhei noutras coisas além disto e que também sei o que são meses sem folgas, exploração, varizes e afins. Poor little thing. Depois comecei a dar aulas e sei dar o valor ao que faço, da mesma forma que me canso e me desiludo com os resultados de alguns miúdos. May I?

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

You don't need a weatherman to know which way the wind blows

Que é como quem diz, tens ali 23 testes por classificar e já sabes a bodega que se avizinha. Eu bem que queria ser cabeleireira, ou veterinária, mas nããããõ....

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

O desbloqueador de conversa da semana, do mês, do ano!

Sim, é segunda. Sim, tenho testes e fichas e porcarias várias para corrigir. Sim, é verdade. Mas o Abrunhosa pregou o melhor espalho televisivo de todos os tempos e o Manzarra soltou um maravilhoso Ai, foda-se no segundo seguinte. Ora se isto não vos dá alento para o resto da semana, vocês são umas pessoas que vão para o céu mas que cá na terra são uns morcões.

Na reprografia:
- Ó D. cremilde, já tem as cópias que lhe pedi há 3 quinze dias?
- Ai ó stôra não...Mas precisava para agora? E fez a requisição? Se calhar não fez, eu não vi, ou então...
- Não, deixei aqui o papel, D. Cremilde. Olhe,'tá aqui.
- Ahhhh, pois foi....
(silêncio comprometedor)
- Mas ó stôra, e o que me diz do tralho que o Abrunhosa mandou ontem, hã? Eu até disse para o meu mais novo que não era para se rir, mas já sabe como são os gaiatos!
- Nem me fale nisso, acho que desloquei para aqui qualquer coisa de tanto rir. Bom, deixe lá isso, faça-me lá as cópias que eu faço o teste amanhã.

Mais uma vez, a queda aparatosa em horário nobre e em directo, salva o dia destas duas funcionárias ao serviço da comunidade.