quarta-feira, 28 de março de 2007

Ainda sou do tempo em que...

Ser criança hoje em dia é um desafio…
Ser criança hoje em dia não é fácil…
Ser criança hoje em dia é…tretas!!!
Ora, há uns anos, se bem me lembro, ser criança também não era propriamente pêra doce. Vejamos, a bela da professora primária era um carrasco que ainda hoje nos provoca arrepios; todas elas foram abençoadas com designações por si só ilustrativas da ruindade que lhes inundava o corpo. A minha chamava-se (e não estou a gozar) Zulmira Xarepe…Que pais desnaturados é que deixam uma criancinha franzina à guarda de tal ser?
Lembro-me nitidamente do som dos passos dela…ah pois, porque ANTIGAMENTE conseguíamos ouvir os passos de alguém no raio de 2,567 Km, já para não mencionar o bater do coração” à filme”.
E porque é que nutríamos tamanho horror à dita senhora? Porque ela era muito boa actriz! Nem mais, o raio da mulher era uma autêntica Mary Poppins para os nossos pais, mas, assim que fechava a porta, o semblante modificava-se e encarnava a Cruella deVille.
E pronto, quem é que convencia o paizinho e a mãezinha que a chapada não tinha sido merecida? Ninguém está claro…houve muitos que tentaram, mas nenhum conseguiu. Por outro lado, tínhamos aqueles que sabiam medir os adversários e mantinham a boca calada até atingirem a maioridade, fugirem para um país estrangeiro e arranjarem guarda-costas. She was good.
Portanto, a criancinha mamava-as na escola … e em casa porque a “Senhora Professora” tinha sempre razão. Mas levava chapadas porquê? Respostas possíveis: ah e tal, porque era um potencial delinquente…porque se tinha armado em Chico-esperto…porque tinha mandado a Professora dar uma curva ao bilhar grande…Não, não, não. A bela da criatura levava porrada porque SIM. Não é espectacular? Epa, nós adultos de hoje tivemos a vida muito facilitada, vendo bem, nem nos tínhamos que preocupar com os direitos das crianças, processos disciplinares dos professores…enfim, um descanso. Ah, bons velhos tempos em que nos mijávamos pernas abaixo com medo de pedir para ir à casa-de-banho!
Lá está, as crianças de hoje em dia vivem num stress desmesurado. É a escola, as actividades extra-curriculares, o terapeuta da fala, o futebol/natação/ballet, e, como não poderia deixar de ser…o melhor amigo da criança actual, o mestre da sabedoria, o ser supra-sumo : o psicólogo. Antigamente tínhamos a freira uma vez por semana a ensinar-nos regras de civismo para o caso de as termos esquecido…hoje não. Hoje temos um profissional qualificado que explica aos pais que a criança reprovou porque padece de défice de atenção…as negativas são apenas um pormenor. Em relação à criança o discurso modifica-se “ Tu tens um problema.”
E pergunto eu, já não há putos burros? Extinguiram-se como os dinossauros com o aparecimento dos psicólogos?
A toda a minha turma da escola primária um bem-hajam… éramos mesmo rijos!!!

6 comentários:

Vitor Ribeiro disse...

Como teu companheiro, acho que tens toda a razão. Como professor, acho que TENS MESMO TODA A RAZÃO...

Chiqui disse...

Bravo amiga,não podias ser mais específica!

Anónimo disse...

Na realidade, há coisas que considero que não podem passar...
Sou Psicóloga Educacional, daquelas a quem tem tanto "pó", tal como tantas outras pessoas. Tive a oportunidade de trabalhar em algumas escolas, e digo-lhe que a actitude que vi por parte de "alguns"professores (sei que apesar de tudo, outros são bons profissionais e sabem o que fazem)face turmas de crianças de 7/8 anos são de bradar aos céus! Vocês, que se dão ao luxo de criticar tanto os psicólogos, são incapazes de olhar para o lado e perceber o que fazem. Explique-me onde é que se aprende a deixar durante UMA HORA, VINTE CRIANÇAS (7/8anos) SOZINHAS E TRANCADAS (literalmente) na sala de aula, sem nenhum adulto a vigiar, e simplesmente porque a senhora professora tinha assuntos a tratar. Então, vai de fechar as crianças na sala (para não perturbar os colegas professores), e de tratar dos assuntos pessoais que são sempre muito mais importantes!
Outra coisa, também sou do tempo em que tremíamos só de pensar que nos tínhamos de dirigir à Professora, para dizer o que quer que fosse, mas não acho que tenha aprendido muito com isso. Muitas das reguadas, chapadas ou palmadas que levei apenas aumentaram o meu medo de ir para a escola. Gostava de perguntar se na realidade perfere que os seus alunos tenham medo de si a terem respeito. Sim, por são conceitos completamente diferentes!!! Não me parece que a tal professora do 2º ano, que deixa os alunos trancados na sala, alguma vez vá receber o respeito de alguns deles. Prefere então ter alunos que se mijem pernas abaixo simplesmente porque olha para eles?Essa é a escola que os professores querem construir? É isto que faz uma criança rija?
Pergunto por fim, se na realidade sabe o que um psicólogo faz, alguma vez procurou saber ou perguntou a quem lhe saiba responder?
Putos burros?Então os professores quando vão trabalhar para uma escola, andam à procura dos "putos burros"?
Sinto muito que apesar de nova (temos praticamente a mesma idade)pense na escola de uma forma tão pouco pedagógica(e se não sabe, deveria saber o que é!)

Para sempre, Maria disse...

Vitor:

Obrigada.
beijo

Chiqui:

E tu sabes do que falas!
beijo

Anónimo:

Não respondo a anónimos. Para a próxima assine "Maria dos Anzóis" e então eu logo lhe dou continuidade aos seus anseios.
Já agora, sabe o que significa "ironizar"?Então pegue no dicionário. Vá lá, largue o Stendahl...eu sei que a menina é capaz.

Um abraço cheio de pedagogia

José disse...

Não é que eu tive essa professora na primária?! Vivi em Elvas e tive a Zulmira Xarepe da 1ª à 4ª classe!
Não acredito que haja outra com o mesmo nome :)
Ela era dura, sim sr., mas parece-me que os métodos dela foram bem sucedidos...

Bypassone disse...

Eu não tive que convencer ninguém: cheguei um dia a casa com uma vista toda inchada porque a querida Sra. Prof. não calculou bem a distância (sim, distância, a régua tinha bem mais de 50 cms.) e raspou-ma pela pálpebra no seu "trajecto descendente" em direcção à palma da mão. Depois de ver a merda que tinha feito, fez como se não fosse nada. Naquela tarde houve "festa" na escola (a minha mãe entrou na sala antes da profe e "fez-lhe uma espera"). Isto foi na 1a. classe. Outra boa, também logo na 1a: Porque "nos portámos muito mal" (falámos entre carteiras e rimos) quando a profe da turma ao lado foi lá pra falarem das novelas, ficámos sem recreio da manhã... DURANTE OS 4 ANOS QUE TIVEMOS AQUELA MEGERA COMO PROFESSORA!!!!
Maria Augusta Nobre Gonçalves, se me estás a ler: be afraid... be very afraid... No teu tempo não havia GPS's, mas agora não me escapas!!!