segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Mais a porra da tosse...

Eu sou uma pessoa que pensa muito, normalmente debruço-me (com cuidado para não cair, por que já dizia a minha avó, a cabeça é mais pesada que o corpo. Grande aldrabice...) sobre temáticas pouco úteis mas que me permitem deixar de ouvir gente que me aborrece.
Ora hoje, enquanto tinha um belo ataque de tosse, daquela sequinha, que dá vómitos tal não é o coice, e que nos deixa cansados de tanto estar ali a deitar cá para fora o nada, tive então um belo pensamento: para que serve a merdinha da tosse seca? É que eu lembro-me que um médico uma vez se referiu a ela como improdutiva. Se é improdutiva há sequer um motivo para ela aqui andar? A febre serve para adormecer o organismo e os anti-corpos nos defenderem (Era uma vez a vida...), os espirros também devem ter uma função qualquer, a expectoração, apesar de nojentinha, também tem a função de expelir, agora, convenhamos, a tosse seca está cá só para moer uma pessoa!
Assim sendo, e uma vez exposta esta questão, não me sabem indicar nada que sossegue esta porcaria desta tosse? Já bebi cebola com alho e mel, valha-me Deus! Eu aguento tudo.

9 comentários:

Pedro disse...

Codipront, mas acho que só com receita médica.

Pensa que estás a trabalhar os abdominais... pelo menos doridos devem estar... :S

Devaneios em Hora de Ponta disse...

cebola alho e mel??? e a seguir nao ficaste com algo pior que tosse seca????

Eu acho que uma agua ardentezita era capaz de fazer sucesso... mas isso sou eu a dizer

Ass: F

Cruxe disse...

Essa da febre servir para "adormecer o organismo e os anti-corpos nos defenderem" está em qual DVD do Era uma vez a vida? É que tenho que mostrar isso ao meu filho mais novo para ele saber que com 39/40º de febre é para estar na caminha (ou no mínimo deitado no sofá) e não aos saltos de um lado para o outro... raisparta o puto.

Sandra disse...

Então bem vinda ao clube!
Eu tou em casa desde sexta-feira, a diferença é que tu ainda podes tomar qualquer coisa, eu cá só mesmo Benuron, ah pois é!!!
Agora cebola com alho e mel?? Arghhhh...nunca me passaria tal coisa pela cabeça, boa sorte!!!

Jokas e as melhoras...
Sandra C.

wednesday disse...

Segundo o médico lá de casa, os xaropes não fazem nada. Colherzinhas de mel. Ao menos sabe bem!

Rolando disse...

Pronto, estava decidido, desta vez é que tinha que ser.
Detestava hospitais, detestava centros de saude, detestava clinicas, tinha pavor de dentistas, médicos e qualquer coisa que vestisse uma bata branca. Mas detestava ainda mais aquela maldita tosse seca que lhe dava voltas ao estômago, se é que o dito orgão ainda existia.
Já tentara o chá de cebola, o mel, a aguardente e até outras coisas que nem vale a pena mencionar ... mas resultados, nem vê-los. Portanto, vá de coragem, e aí vai ela direitinho ao centro de saúde. Pelo menos uma receita de qualquer coisa há-de lá sair, e parecendo que não, isto de trazer uma receita na mão, psicológicamente falando, claro, já é meia cura...
O dia prometia. Mal abriu a porta, um sorriso iluminou-lhe o olhar; a sala de espera estava vazia, o que significava que ela não teria que esperar longas horas para ser atendida, o que significava que em breve poderia voltar para a sua casinha, o que significava que em breve estaria novamente impec, livre daquela tosse.
Começou logo a sentir-se melhor.
Avançou decidida até ao atendimento, onde uma funcionária arrumava calmamente uma pilha de papéis.
- Boa tarde – avançou – vinha ver se podia ser atendida por um médico...
A funcionária espreitou por cima dos óculos, pousou a sua pilha de papéis e veio sentar-se ao computador.
- Boa tarde – respondeu – a senhora tem marcação para que horas ?
- Marcação ? Não... não tenho marcação. Não está nenhum médico de serviço ?
A funcionária carregou numas teclas.
- Está. Está sim, por acaso até estão dois médicos de serviço. Mas temos a sala de espera cheia neste momento.
Virou-se lentamente, a tentar perceber o que lhe estaria a escapar. Mas não, a sala de espera nas suas costas estava vazia, podia ver distintamente as cadeiras, o que significava obviamente que não existiam corpinhos sentados em cima delas. Ora se não existiam corpinhos, significava que não havia fila de espera, o que significava que ela deveria ser a próxima...
- Mas... existe uma outra sala de espera, é isso ? Julguei que esta aqui é que fosse a sala de espera ... e como não vejo ninguém... pensei que iria ser atendida já de seguida...

A funcionária lançou-lhe o característico olhar número três, aquele que significava – esta está a querer gozar comigo, ou o quê ? – afastou o teclado para o lado e virou o monitor, de modo a que a visitante também pudesse observar.
- Minha querida, se eu lhe disse que a sala de espera estava cheia, é porque a sala de espera está mesmo cheia. Ou não está a ver ?
Olhou para a zona do monitor que a funcionária apontava com o dedo e viu 5, 10, 12, 20... vinte e tantos pontinhos vermelhos dentro de um rectangulo, com outros dois pontinhos azuis, mais brilhantes, a piscar por cima. Não percebeu o significado, mas que o resultado era visualmente bonito, lá isso era.
- Perdoe-me .... mas não faço a mínima ideia do que me está a mostrar ... o que são essas luzinhas vermelhas e as luzinhas azuis a piscar ?
O olhar da funcionária mudou do número três para o número cinco, aquele que significava – esta é parva ou faz-se – e num tom muito fininho, elucidou:
- Minha querida, este é o Simplex, o nosso centro de saúde já está no sistema Simplex, ou será que ainda não percebeu ? As nossas luzinhas vermelhas são os pacientes que estão à espera de ser atendidos... e as luzinhas azuis são os nossos dois médicos que estão a dar consulta neste momento... não me diga que é a primeira vez que vem aqui ao centro de saúde...
Ficou boquiaberta. Bem... primeira vez não seria mas, quando tinha sido a última vez ? Talvez para renovar a vacina do tétano, ou coisa parecida. Fosse como fosse, já se tinham passado alguns anitos e aquela coisa do simplex ... era a primeira vez que ouvia falar de semelhante novidade.
Não querendo passar por completa retrógada, lá foi dizendo:
- Pois... por acaso já faz um tempinho que não venho aqui... mas tudo bem, só precisa de me explicar como isto funciona, sou daquelas que aprende depressa. O que tenho que fazer para poder ser vista por um médico ? É só isso que quero. Ando aqui com uma tosse que já não sei mais o que fazer... é só isso que eu quero... ver um médico, uma médica, um enfermeiro, qualquer coisa. Ah. E preciso de uns remédios, um xarope, ou uns comprimidos, um chá. É só. Não quero mais nada.
- Posso marcar-lhe uma consulta, se quiser...
- Quero, claro que quero uma consulta. Para quando ?
A funcionária voltou a carregar nalgumas teclas e após uns segundos de pesquisa, exclamou triunfante:
- Temos aqui umas vagas, amanhã da parte da tarde. Serve-lhe ?
- Perfeitamente. A que horas devo aparecer por aqui ?
A funcionária voltou a mostrar o olhar número cinco.
- Como assim, aparecer por aqui ?
- Para a consulta, quiz eu dizer. As consultas não são aqui ?
A funcionária exibiu pela primeira vez o seu olhar número seis, aquele que significava – faltam dois segundos para me levantar e lhe dar um par de tabefes – e começou a dar mostras de um certo nervosismo.
- Não minha querida, as consultas não são aqui. Aliás, as consultas não são em parte nenhuma deste centro de saúde, são em sua casa. São tele-consultas, você liga a sua webcam, fala com o médico em video conferência, ele receita-lhe aquilo que tiver que receitar, ele envia-lhe por mail a receita, você imprime a receita, vai à farmácia e compra aquelas coisas todas, toma aquilo tudo, fica logo boa e nunca mais precisa de voltar aqui a este centro de saúde... – e após uma pequena pausa - ... percebeu ? E aqui tem um folheto com todas as instruções, antes que a seguir me pergunte como é que amanhã vai conseguir fazer isso tudo...
Atordoada, abanou a cabeça.
Mais Simplex, não podia ser.
Voltou para casa, tossindo.
- Espero ter conseguido contagiar aquela velha bruxa, ao menos – ainda pensou, enquanto ia conduzindo vagarosamente até casa.
No dia seguinte, à hora marcada, sentou-se em frente ao computador e começou a seguir as instruções . Ligar o computador, aceder ao site do centro de saúde, introduzir a referência, esperar... escolher o tipo de serviço ... esperar, esperar ... introduzir nova referência ... indicar o nome do médico, esperar ... esperar ... confirmar com o número da segurança social , esperar ... colocar uma cruzinha do tipo de consulta , esperar ... ah, finalmente, lá estava , aceder à sala de espera , ... esperar, esperar... esperar...
o que era aquilo ?
Aproximou-se um pouco mais do monitor para poder ler a mensagem no centro do ecran.
“ LAMENTAMOS, MAS NESTE MOMENTO NÃO É POSSÍVEL SATISFAZER O SEU PEDIDO. O CENTRO DE SAÚDE VIRTUAL SIMPLEX 1.0 ENCONTRA-SE EM MANUTENÇÃO. POR FAVOR TENTE MAIS TARDE.”
Teve que ler três vezes a mensagem, antes de conseguir perceber o significado.
Levantou-se vagarosamente e dirigiu-se atá à cozinha. Abriu a gaveta dos talheres, pegou numa faca afiada e rumou à despensa. Onde estavam elas ?
Do caixote respectivo, apanhou a maior das cebolas, apanhou um prato e começou meuito lentamente a retirar a casca da cebola.
- Nem que eu a tenha que comer à dentada...

Rolando, professor, Elvas

Fractal SMOG disse...

Maria, quer experimentar este: http://apeteceme.blogspot.com/2009/01/cebola-o-caminho-para-salvao.html

Pode ser que não se arrependa...

As melhoras!

S. disse...

Mel e codipront.

Rolando, fantástico!


http://sleevequalquercoisa.blogspot.com/

elvira carvalho disse...

Espero que a tosse já tenha passado.
Um abraço e bom Domingo

A margem, a saúde debilitada de meus pais, ele internado no hospital onde foi amputado a uma perna, ela em casa, mas totalmente dependente, teem-me impedido de visitar os amigos virtuais e reais.