sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

É por isso que ser professor é fixe

Gosto muito de encavar os meus ricos alunos. Gosto mesmo muito. É o sal da minha vida, pronto.
Lembram-se do S.? O tal alemãozinho que tem sempre a piada na ponta da língua? Ele é mesmo um alvo dos bons, por que tem sempre resposta, o raio do fedelho! Hoje lixei-o.
Dei-lhes uma ficha para reseolverem enquanto eu corrigia umas coisas e ajudava outros. Até aí tudo bem, assim como assim está tudo dormente, e até agradecem não estar a palrar em Inglês logo pela fresquinha.
Ora, o meu amigo S. anda sempre de mp3 acoplado à orelha e só retira os phones quando me passo. De tanto me ouvir, aprendeu. Hoje, voltou à carga e, dado o meu estado comatoso, lá veio pedir-me ao ouvido se podia ouvir música. Eu fingi que não o percebi, e mandei-o para o lugar. A criatura não desiste e pede outra vez. Finjo que não ouço, outra vez. À terceira, vem com um papelinho. Leio o papel que dizia: Deixe lá, stôra!
Os outros já de nariz no ar, ficam à espera de ver o que eu dizia, ao que eu digo alto e bom som: eu sei que achas a Jessica muito bonita, mas tu é que tens de lhe pedir namoro, S.!
Gargalhada geral! É que a J. é a arqui-inimiga do S.
A meio da aula, e sem se dar por vencido, traz-me outro papel, que diz: eu conheço o seu carro, stôra! Ao que respondo: S., eu já sou casada. Desiste.
Victory is mine!

11 comentários:

Sandra disse...

Rsrsrs... que mázinha!
O que eu me ri....lolol!
És cá das minhas, não dás tregas!

Jokas
Sandra

Pedro disse...

LOL! Muito bom! Quem me dera ter sempre resposta na ponta da língua assim... mesmo com fedelhos! LOL

Anónimo disse...

Tocou a campainha.
Estranhamente, soou como a harmónica do Charles Bronson.
Um som agudo, que se prolongou enquanto todos se iam desviando, cada vez mais encostados à parede.
Ao centro, S, o alunos rebelde esperava pacientemente, os tenis a levantar o pó do chão e a mão no cinto,
desafiadora, a poucos centimetros do seu Mp3.
A porta rangeu, lugubre, nos eixos enferrujados e a professora de inglês entrou, vagarosamente,
medindo as distâncias e ajeitando os dois pesados dicionários que lhe pendiam do cinto.
A turma sentia o perigo eminente e fez-se um silêncio de gelo. O duelo ia começar.
S recuou um pouco, virou-se, remexeu os fones nos ouvidos e coçou a ganga das calças.
A professora de Inglês pressentiu o perigo e colocou o apagador ao alcance da mão.
Disfarçadamente, passou a mão pelos cabelos e observou de soslaio a turma.
Por quem estavam eles a torcer ?
Um minuto passou, dolorosamente lento. Os mais nervosos roiam as unhas e o silêncio era tanto que até se ouvia
a professora de matemática, na sala ao lado, a gritar qualquer coisa de trigonometria.
A mão de S estava já pousada no Mp3, pronto para a acção. A professora de inglês parecia nervosa, como se ainda estivesse
a decidir se iria utilizar o apagador ou se iria arremessar o dicionário.
O silêncio era insuportável.
Nisto, o impossível aconteceu.
O telemóvel da professora de inglês tocou, aquela música caracteristica da missão impossível, que todos já conheciam tão bem.
Tudo aconteceu numa fracção de segundo.
A professora de inglês levou instintivamente a mão ao bolso e S, o aluno rebelde, decidiu aproveitar a vantagem.
Com um gesto rápido, saca do mp3 e prepara-se para o ligar.
E eis que de repente, saindo do penumbra, Jessica, a arqui-inimiga de S, salta para o centro da sala,
interpondo-se entre ele e a professora de inglês.
Mais rápida do que a sua estatura diminuta e barriguinha proeminente fariam supôr, liga a câmara do telemóvel e ameaça,
numa voz fria e carregada de emoção:
- Ligas o Mp3 e eu ponho este video no Youtube, que te lixas...
S parou, estupefacto. A sua arqui-inimiga levava-lhe a melhor, outra vez.
Ainda pensou em ligar mesmo assim o Mp3 mas não quiz arriscar.
Logo hoje, logo hoje que não estava com o visual certo, não se podia dar ao luxo de aparecer no youtube.
Baixou os braços, aceitando a derrota.
A turma voltou a respirar de alivio e a harmónica do Charles Bronson soou uma ultima vez, enquanto que a professora
de inglês trocava um olhar cumplice com Jessica, a gordinha de reflexos rápidos.
Ficava-lhe a dever uma.
Mas tinha valido a pena.
Mais uma vez, S, o aluno rebelde, não tinha levado a melhor.

Rolando, professor, Elvas

HzoLio disse...

Eu antes do deixar sair da sala ainda lhe dizia ao ouvido que o último papelinho dele seria entregue no CE...

Para além de que o alvo dos amores do jovem nunca seriam UMA colega!!! eheheheh

Fractal SMOG disse...

LOL!!!
Muito bom, Maria, muito bom!

Anónimo disse...

Lololol, fizeste me rir... Gostei, és toda pra "frente"... ;) beijinhos

Nani disse...

Maldade! mas com muita piada e na hora certa!!! LOL

Patrícia disse...

Ahahahahahah... alunos do secundário, certo? Na Primária, fazê-los passar por bobos da corte é ainda pior... Ficam todos contentes... Grrrrrrrrrrrrrr... Felizmente em horário pós-laboral tenho alunos de todas as idades, e alguns mais velhos do que eu, para perceberem o meu humor. ;)

Piston disse...

Ruindade ao mais alto nível.

katy disse...

Bem!! Muito bom!! Óptima atitude-resposta ;)

(cuidado é com o carro =P)

Maria disse...

Ahahahah é assim mesmo!
Adorei o blog :)