quarta-feira, 30 de maio de 2007

É de lá...

Hoje também estou de greve. Mas a minha greve é um tanto ou quanto paradoxal, isto é, como as auxiliares da cantina aderiram à greve, as outras auxiliares e os professores são impedidos de entrar na escola.
Adiante. Um dia destes a meio da semana até sabe bem.

Decidi dedicar esta folga para pôr as coisas da casa em dia(aquela pilha de roupa por passar estava a ficar com um ar bastante ameaçador....) e para me esparramar no sofá até às 4 da tarde, hora da explicação.

Isto era tudo muito bem pensado, não fosse o pessoal do retransmissor da RTP ter dado de frosques também. Desde perto da hora de almoço que a actividade televisiva aqui de casa se resume aos outros 3 canais.

Quando liguei a televisão para me entreter enquanto passava a ferro a roupa, apercebi-me que só conseguia ouvir os apresentadores da Praça da Alegria, peguei no comando, de forma resoluta, mudei de canal e voltei à RTP e a situação mantinha-se. O marido entretanto acordou e conseguiu pôr a televisão a funcionar.

Alegria, alegria! Já não tinha de gramar com o Goucha ou com a Fátima Lopes!

No entanto, desde a uma da tarde, a RTP foi-se.

"É de lá" disse eu quando me apercebi que só a RTP é que dava mostras de alguma afecção. Olhei para o respectivo e largámo-nos a rir. "É de lá" é, de facto, uma expressão que guardo com muito carinho desde a mais tenra infância.

Associo esta expressão a uma época em que nos sentíamos impotentes face aos acontecimentos que surgiam nas mais variadas faces da actualidade. O telejornal dava mostras de um Mundo ameaçador, pelo que, nós, Portugueses, recolhiamo-nos à nossa insignificância. O mesmo se aplicava ao mau-funcionamento da televisão: desligávamos o aparelho e afirmavamos convictamente que era mesmo de lá. Numa atitude parecida à de Pilatos, lavavamos as nossas mãos da situação e aguardávamos calmamente por uma melhoria na recepção do sinal...

Às vezes, quando estou a ver o "Conta-me como foi" fico a pensar nas verdadeiras diferenças que nos separam, e não me refiro à existência da TV ou ao regime vigente, refiro-me à nossa mentalidade. É, mesmo, de cá.

21 comentários:

Dina disse...

Ai que sorte um dia inteiro em casa...
Quanto a roupa para passar...a minha já deixou de ser ameaçadora...domina pura e simplesmente o quarto mais pequeno cá da casa e ameaça alastrar a outros compartimentos...só tenho lavado e há mais duma semana que não tenho folga e tenho andado a trabalhar muitas horas o que significa que aquela coisa chamada tábua e que por sua vez traz sempre agarrado a si um ferro...fica lá quietinha no seu canto e eu finjo que ela não existe.Só não sei até quando vou conseguir ignorá-la sem ir para a rua em trajes menores...
Beijinho, regresso amanhã!! (saio às 0h)

Para sempre, Maria disse...

Dina:

Eu andei numa fase "acabei de tirar do arame, logo, vou passar"...assim como a loiça.Mas passou-me!
Bom trabalho

Stôra disse...

A minha greve foi como a tua: a escola não pode funcionar por falta de funcionários! Os professores que apareceram ficaram na escola a trabalhar para cumprir o horário. Por acaso a minha manhã rendeu mto e não tive de estar 6 tempos seguidos a cansar a garganta!
*Beijinhos*

Rita disse...

Pois é eu lembro-me do "É de lá" e do "É geral" quando as luzes iam abaixo e íamos confirmar à escada ou à janela se havia luz para termos a certeza se era corte de energia ou se tinham sido os fuzíves.
Jokas

Para sempre, Maria disse...

Stôra:

Pois, mas aqui não houve mesmo funcionário NENHUM!Foi mesmo impossível entrar na escola. Enfim...o que é certo é que passei o dia a pastelar/passar a ferro e soube bem.

Para sempre, Maria disse...

Rita:

ehehehe não me lembrava da dos fusíveis! É verdade sim senhora! E quando era geral vinhamos todos a correr à janela para ver se os vizinhos também estavam às escuras...ele há coisas que são mesmo nossas.

Beijo

Maria Cunha disse...

é mesmo de cá...

o que é que aconteceu neste país que o fez parar no tempo? não fomos sequer suficientemente inteligentes para seguir os bons exemplos que os nossos vizinhos nos deram... ainda vivemos na cultura do "orgulhosamente sós"...

tenho pena porque pertenço a uma geração que podia ter feito a diferença... e nada fez.

Para sempre, Maria disse...

Maria Cunha:

"Eu tenho para mim" que alguém teve um dia mau...Deixa lá, amanhã já é quinta-feira.E depois é sexta...hummm? Pronto, eu tentei.
Beijo

Maria Cunha disse...

ooppss!

deu para perceber?? ;)


beijo

Para sempre, Maria disse...

Maria Cunha:

Nááááá!
;)

Teresa disse...

Quando era de lá eles às vezes tinham a delicadeza de pôr uma cartaz na televisão: "Pedimos desculpa pela interrupção, o programa segue dentro de momentos".
Os tais momentos às vezes prolongavam-se por mais de meia hora, mas sempre estávamos mais descansados.

Beijo.

Para sempre, Maria disse...

Teresa:

É isso mesmo! Sabiamos que o pessoal tinha metido o pé na argola, mas, meus amigos, eles já estavam a trabalhar no sentido de se resolver a questão...nem que deixássemos de ter tv nas próximas horas.

Rafeiro Perfumado disse...

Até me arrepiei quando li "ficámos reduzidos só aos outros 3 canais". Não que eu veja muita televisão (esta cena do blog leva-me o pouco tempo livre que tenho), mas a ideia de ficar confinado a Floribelas e Morangos dá-me um nó no estômago!

Formiguinha disse...

Maria,
Tens que pensar em sacar o cabo dos vizinhos porque isso de só ter os 4 deprimentes canais generalistas dá com qulaquer pessoa em doida :( .

Eu até sou contra os serviços pagos e para mima a TV Cabo (enquanto empresa) é sempre o melhor pior exemplo a todos os níveis. Mas acho que já não vivo sem o AXN ou o Odisseia.

Beijos

Peste disse...

lol realmente...

q saudades dessa imagem... q nos mandava ir para a cama por não haver mais nada para ver...

Teresa disse...

Maria,
Esqueci-me de comentar o Conta-me Como Foi... Perdi o primeiro episódio, um amigo meu telefonou-me assim que acabou a querer saber se eu tinha visto, que aquilo era mesmo feitinho para mim.

No domingo seguinte lá estava eu expectante. Da história em si pouco haverá a dizer. Agora a reconstituição de época, a começar nos cenários, nos adereços, no guarda-roupa! Um certo pinguim de loiça em cima do frigorífico arrancou-me uma gargalhada, sei que conheci alguém que tinha um igual (ainda hei-de lembrar quem). As caixas para massa, farinha, etc. na cozinha dos Lopes são iguais a umas que a minha Mãe teve. O meu êxtase aumentou quando, no último domingo, vi aparecer um boca de sapo, carro que lembro com saudade (mais confortável, só mesmo um Rolls Royce!). A minha Mãe também já é entusiástica da série, agora falamos a seguir, para comentar os pequenos pormenores.

E estou agora a lembrar-me de que neste último episódio se ouviu um bocadinho do Tous les Garçons et les Filles, quando a prima francesa está a mostrar os seus discos.

Pormenor engraçado de pronúncia: bikini. Há quem diga bem e quem diga mal (já não sei quais são). Na época dizia-se bikiní (acento no último "i", lembro-me muito bem. Como me lembro de estar de férias em S. Martinho do Porto e ir a correr para a barraca chamar a minha Mãe para ir ver uma senhora de bikini ali perto! Era estrangeira, na certa. Eu devia ter uns seis anos. Ainda se viam muito poucos, principalmente em S. Martinho, uma praia tão tradicional e eminentemente familiar.

Beijo.

Para sempre, Maria disse...

Rafeiro:

Olha, podes começar a fazer uma vaquinha aqui pelos leitores...com o título sugestivo:"Vamos libertar a mente do Eskisito e da Maria, dos padrões dos casacos do Goucha!"
De fazer chorar as pedras da calçada...
snif...
Beijo

Para sempre, Maria disse...

Formiguinha:

Um dia conto-te a noss aventura com a tv cabo e com a netcabo...simplesmmente geniais aqueles senhores...

Aqui na merdaleja, com dois cafés e meio e uma barragem que é uma animação(not) acredita que não ter cabo é muuuuuito triste. Enfim, refugio-me na net.

Beijo

Para sempre, Maria disse...

Peste:

Eu era logo com o Vitinho...os meus pais, esses chauvinistas...:)

Beijo

Para sempre, Maria disse...

Teresa:

Sou a fã número 1 da série, eu e o Eskisito não perdemos um episódio. Eu nasci em 1980 e ele em 1978, pelo que a realidade da série é-nos um tanto distante, mas, de qualquer forma, o modus vivendi português manteve-se por muitos e bons anos, pelo que me revejo totalmente.
Aquelas almofadas em veludo...a minha mãe teve iguais em vermelho(brrrr...)

Beijo

Maria Cunha disse...

a minha mãe tinha umas cortinas iguais a umas que aparecem na série... e se eu soubesse onde andam bem que as sorripiava lá para casa :)...

como nasci em 68 é fácil rever-me na série :)